segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A cultura é pop e não poupa ninguém!


 Hoje falaremos da eliminação da cultura como privilégio da burguesia.

Antigamente, cultura era coisa cara, só pra quem tinha dinheiro. A característica mais importante desse período é que os burgueses que gastavam uma grana em uma ópera ou no recital de uma orquestra, davam tanta atenção ao evento quanto merecia o dinheiro nele investido. O público respeitava imensamente a obra, que também tinha que ser de alta qualidade, para compensar o alto valor gasto pelos espectadores. Isso foi de uma vantagem social extrema para a arte que mantinha a alta sociedade dentro de certos limites.

Essa história não durou para sempre, caros passageiros. A cultura ficou disponível para todos, pelo preço que pudessem pagar. Massificou-se de forma extrema. Com a tecnologia, qualquer um pode, por uma baixa quantia, ter acesso a todo um mundo de obras de arte de qualquer tipo, seja cinema, literatura, música, etc. Toda uma indústria de produção de arte foi criada. Arte não seria mais produzida para ser apreciada, mas sim para ser digerida por um mercado consumidor cada vez maior. Não é de se espantar que a qualidade do produto caia. A queda de qualidade, no entanto, não é uma regra. No nosso mundo existem vários exemplos de arte e cultura populares e de altíssima qualidade

Com a diminuição dos preços, os consumidores tendem a desconfiar mais do que lhes é oferecido. O respeito tende a diminuir. Todo tipo de expressão artística é bombardeada sem piedade para cima da sociedade, que rejeita com violência aquilo que não é de seu interesse. A cultura pop passa a ser vista como uma espécie de prêmio e seu aproveitamento passa a vir da oportunidade de apreciar algo que não custa caro. É arte? É. É cultura? É. É popular? Também. É dessa ideia de que arte barata e massificada é uma espécie de presente para o consumidor que aceitamos coisas de baixa qualidade com mais facilidade. É o velho "Fui ver o filme tal no dia de promoção, ó. Mó paia, mas por três reais até que vale a pena." É como foi dito: Com a massificação da cultura ela tende a ter uma queda na qualidade, mas isso não obriga tudo o que é feito em massa a ser ruim.

0 comentários:

Postar um comentário